Poderia ser só mais uma selfie, não fosse os pontos de sangue espalhados
pelo rosto, parte de um procedimento estético apelidado de “lifting do
vampiro”, o plasma rico em plaquetas. O tratamento (e a selfie) viraram
moda quando Kim Kardashian divulgou imagens do rosto ensanguentado no
ano passado, e, mais recentemente, Luciana Gimenez se juntou ao time de
celebridades que adotaram o procedimento em busca de uma pele mais
lisinha. O lifting do vampiro engrossa a lista de tratamentos estéticos
bizarros, procurados por gente em busca de novidades e de alternativas
aos componentes sintéticos. E vale de tudo, de muco de caramujo a fezes
de rouxinol.
No caso do plasma rico em plaquetas, os pontinhos de sangue
no rosto que chamam a atenção não vêm do produto, mas das picadas da
agulha. O procedimento consiste em retirar o sangue da paciente e
passá-lo por uma centrífuga, onde é separado o plasma rico em plaquetas,
de cor amarelada. Ele é então misturado a cloreto de cálcio e se
transforma em um gel, que é reinjetado no rosto da paciente, com objeto
de minimizar linhas de expressão e estimular a produção de colágeno.
“Ele não é um preenchimento, é um revitalizador”, explica a
dermatologista Valéria Marcondes. Ela alerta que, assim como a reinjeção
de gordura, há o risco de o plasma ser rapidamente absorvido pelo
organismo. Para a dermatologista Ligia Kogos, o tratamento não passa de
um modismo que não tem efeito real. “Quando se injeta alguma coisa, dá a
impressão de rejuvenescimento. A própria picada de agulha é estimulo
para que haja produção de colágeno”.
O método já é usado nas
articulações por médicos das áreas de ortopedia e traumatologia, mas
ainda não há aprovação da Anvisa para a aplicação na face. Além de não
existirem estudos suficientes comprovando a eficácia estética do plasma
rico em plaquetas, o tratamento também oferece riscos. “Já atendemos
gente com infecção no rosto por causa disso”, diz Ligia. Há também
outros riscos de contaminação, alerta Valéria: “sangue pode transmitir
hepatite, AIDS”. As melhorias prometidas pelo lifting do vampiro são as
mesmas promovidas pelo preenchimento com ácido hialurônico, que garante uma pele lisinha de maneira estéril e segura.
Outra
novidade que usa o próprio organismo para um tratamento estético mais
natural é um creme com restos de pele. É feita uma cirurgia para retirar
pedaços da pele, ou então é usado o prepúcio de bebês circuncidados,
para ajudar no rejuvenescimento. “Aquela pele vai ser colocada em meio
de cultura, vai estimular a produção de colágeno, e depois é feito um
creme”, explica Valéria.
Costume antigo no Japão, a máscara de
fezes de rouxinol vêm ganhando cada vez mais adeptos, incluindo
celebridades como Victoria Beckham e Harry Styles, da boy band One
Direction. “Ele é rico num aminoácido, a guanina, que teria uma ação de
restauração celular”. A gueixas usavam para obter uma pele macia e
lisinha, e as promessas mais recentes incluem uma pele esfoliada e com
menos manchas, em especial de acne. As fezes do passarinho contém
bactérias, portanto há perigo se aplicadas diretamente na pele, mas os
salões garantem que elas são processadas e esterilizadas antes do uso.
Segundo a Anvisa, ainda não há produtos contendo fezes de rouxinol
registrados no Brasil.







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